domingo, 2 de setembro de 2007

Palavras, apenas Palavras

Tempos em que penso em linguagem e o poder das palavras, aqueles signos mágicos que tanto Saussure falava.



Particularmente eu gosto muito da palavra Unpiomochi (Tão bela pronúncia, é quase como ouvir “Summer '68 - Pink Floyd!”), lembro-me até hoje do meu glorioso e simpático Professor Toshio ao citar pela primeira vez essa palavra:



“Palavra em japonês deve ter emoção, Unpiomochi!”.



Não conseguiria reproduzir o efeito que essa palavra produziu em mim, e muito menos o belo sotaque japonês genuíno de meu professor. Talvez tenha sido o choque cultural (Ainda hoje pode ser visto em minha pessoa as seqüelas), mas fui obrigada a travar uma epopéia com tal palavra: Mas que diabos a palavra Unpiomochi significa?



Pois é, aí começou a guerra de minha massa cinzenta oficialmente ocidental para conceber tal aberração, passei por um processo completo de autodestruição na caverna de Platão. Um signo é um elemento x que representa um elemento y para alguém, definitivamente minha mente estrategicamente matemática não ajudaria.
Mas o fato é que após alguns dias de aula finalmente pude enfrentar o monstro, quer dizer, quase isso. Lacei o tal dito cujo e roguei a Ares uma ajudinha dos Céus.



Eis então: Unpiomochi é uma palavra que não possue um significado digamos formal, mas enfim falar as palavras com emoção, entonação, ênfase...e aí está Unpiomochi!



Os sábios japoneses utilizam dessas armadilhas de linguagem quase como uma pegadinha para nós Pessoas dos Debates e Matracas, para eles sentir é muito mais importante que debater, e nas palavras, representar é muito mais que simples conceitualizar.



Da minha Batalha sobrou muito pouca coisa, minha mente repousava compadecida em seu estado crítico de absoluta ignorância, mas nada que uma simples menção não fizesse ela voltar a transmitir suas ligações nervosas habituais e dar um passeio.



Se você ainda não entendeu o que é Unpiomochi não se preocupe, seu processo de autodestruição está apenas começando, será apenas um contemplar do monstro que estás a enfrentar, imagine então quando ouvir Yatana.



Ah Carolina, como gosto desse novo mundo!




PS: Escrevi em Ro-Manji para que vocês possam pronunciar tal palavra, tentem pronunciar Unpiomochi: com calma, leveza, falem como se estivessem suspirando!



Definitivamente preciso parar de escrever.



3 comentários:

Neo disse...

Oi Carol!!!
Olha, posso até não compreender muito oq seria "unpiomochi" mas, sei bem oq é ouvir summer 68 logo, imagino o efeito que essa palavra causa em ti! rs
Interessante essa questão de se priorizar a representação do que o conceito em si, me fez pensar...
Ah valeu pelas visitinhas, vou pedir mais uma dose de frieza p/ nós, e essa é por minha conta...e claro, ao som de Pink Floyd! ;)
Unpiomochi! Unpiomochi! Unpiomochi!

gostei tbm rs...

Bjão e um ótimo resto de Domingo p/ ti!

Constantin Constantius disse...

Olá Carol!

Li o texto! Gostei muito, um texto bem escrito e descontraído, mas acima de tudo gostei do conteúdo. Olha, acho que com você vou aprender um pouco sobre este modo oriental de ser, só não sei se algum dia irei compreender (olha só eu usando um modo de pensar ocidental, rs).

Aguardo então a pronúncia da palavra "unpiomochi", pois a música ouvi e gostei muito!

Beijos e parabéns!

Bruno disse...

Interessante pensar na ilusão ocidental de chegar a uma compreensão completa das coisas atravéz de seus eforços de objetivação e cientificidade. Essa forma de pensar oriental que vc falou parece mais consciente da natureza essencial do saber humano que é ser sempre um saber furado como diria o lacan, ou com a natureza essencial da linguagem que é ser um conjunto de metáforas e metonimias, um x representar sempre um y para alguém se vc preferir. Sendo que todo tipo de teorização se insere dentro da linguagem os problemas que a afetam afetam também o conhecimento estruturalmente falando. A sua matemática é o cúmulo dessa tentativa ocidental de fechar uma compreensão do mundo, de elaborar signos que não estejam furado por assim dizer, mas eu não acho que ela escape a essa problemática estrutural da linguagem. É uma tentativa bastante rica visto que gerou um monte de coisas boas e tecnologia e talz, mas é uma tentativa tanto mais rica quanto mais entende a impossibilidade do que ela se propõe a fazer. O ser humano só inventou tantas palavras porque as palavras nunca são suficientes, e os signos matemáticos não são uma excessão a essa regra saudaes carol, que bom que vc criou um blog^^